O Senhor, o seu Deus levantará do meio dos seus próprios irmãos um profeta como eu; ouçam-no – Deuteronômio 18.15.
Quem foi Moises, se não o homem que estruturou Israel? Tanto as leis civis como as religiosas foram dadas por intermédio dele. Esta passagem se refere claramente ao Messias, e os judeus assim a interpretavam. Para o judeu, a lei tinha duas faces. A primeira era a lei escrita; a outra era a Lei, o espírito e o sentido exato dela que era transcendente. Era algo parecido com “o mundo das idéias” de Platão mas era somente para a Lei. A expectativa para a chegada do messias era também para revelar este caráter da Lei.
É por isso que em João 4, na conversa com a mulher samaritana, no verso 25 a mulher diz “eu sei que o Messias (chamado Cristo) está para vir. Quando ele vier, explicará tudo para nós”. Nos versos anteriores a este versículo, eles estão conversando justamente sobre um assunto religioso (o lugar ideal para se adorar), Jesus diz que o lugar geográfico não importa mais, mas sim a maneira (em espírito e em verdade). Então a mulher diz “eu sei que o messias está para vir, quando ele vier, explicará tudo para nós”. Era algo como: a gente discutindo aqui não vai levar a lugar nenhum porque de qualquer jeito, só o messias sabe exatamente o que a Lei diz, vamos falar de outra coisa enquanto ele não vem. Então Jesus diz “eu sou o Messias!” (verso 26), e o que acabei de falar sobre o lugar da adoração é o sentido da Lei.
Já em Mateus 17, na transfiguração, a fala do Pai é uma referencia à DT 18.21. Pedro propõem que se faça uma tenda para os personagens que aparecem (Moises, Elias e Jesus glorificado) e no verso 5 uma voz diz “este é o meu filho amado em quem me agrado. Ouçam-no!”. Claro que para qualquer judeu que cresceu aprendendo a lei e estava bem familiarizado com o livro de Deuteronômio, essa fala lembra: “O Senhor, o seu Deus levantará do meio dos seus próprios irmãos um profeta como eu; ouçam-no”. Esta é uma ratificação tão clara, transparente, específica e objetiva que o próprio Jesus temeu que os judeus a ouvissem antes de sua crucificação (“não contem a ninguém o que vocês viram, até que o Filho do Homem tenha ressuscitado dos mortos”) v. 9. Pois se este fato fosse conhecido pelo povo, o ungiriam rei custe o que custar e certamente não permitiriam a sua crucificação.
E para finalizar, o messias dando o sentido da Lei, está dentro de um discurso (não apenas lá) que chamamos de Sermão do Monte. Como Mateus escreveu para judeus, ele colocou essa coletânea de ensinos de Jesus agrupados. No sermão do monte temos: “ouvistes o que foi dito, eu porem vos digo”. Antes de cada nova interpretação da Lei, que a abrange muito mais. Claro que quer judeu lendo isso somada às profecias cumpridas em Jesus e a afirmação de Mateus 17, será persuadido a aceitar que Jesus é o messias, o profeta profetizado por Moisés em Deuteronômio 18. Pois Moises estruturou o povo de Deus, e disse que viria um profeta igual a ele e que deveria ser ouvido, no sermão do monte, e durante seu ministério, Jesus reestrutura o povo de Deus, não etnocentricamente, mas universalmente. Em Jesus os filhos de Abraão, não são apenas os descendentes de Abraão (MT 3.9) mas qualquer um em qualquer lugar que “mostre frutos de arrependimento” v.8.