As
pessoas comumente percebem que viver intensamente significa experimentar ao
máximo o que a vida oferece.
E o
oposto (não viver intensamente) é recusar tais ofertas.
Não é
raro ouvir sobre alguém que se converteu: fulano sossegou, virou crente.
Quando
se diz isto se imagina que a vida cristã é monótona em contrapartida ao ritmo
alucinante e divertido do mundo. É
como se houvessem dois caminhos: o da diversão com certo perigo e o seguro sem
diversão.
Neste
caso, o caminho seguro sem diversão é o de alguém que não sai para se divertir,
não ouve música alta ou sorri alto. É como o catolicismo da idade média. A vida
de um monge (ou seja, de alguém que levava a serio a religião) era uma vida
reclusa, monótona e de contemplação.
Hoje em
dia percebe-se que a visão que as pessoas têm sobre o cristão e sobre o cristianismo
ainda tem muito a ver com a idade media e pouco a ver com o cristão de fato.
Em
primeiro lugar devemos separar o que é viver intensamente do que é viver irresponsavelmente.
Um
exemplo pode ilustrar isto: pode-se dizer que pessoas que ingerem grande
quantidade de álcool e depois apostam um racha
desfrutam intensamente a vida?
Sabe-se
claramente que ingerir álcool em grande quantidade diminui os reflexos
necessários ao motorista para se proteger de perigos durante a viagem.
Se
privar daquilo que nos é útil ao volante é diversão? Ou seja, tirar os sapatos para
andar na neve é legal? E, indo mais
alem, um suicida é alguém que realmente desfrutou a vida em sua plenitude?
Talvez a
resposta a esta visão nos ajude a entender o porquê muitos artistas depressivos
e suicidas se tornaram o alvo da devoção da juventude.
Por
outro lado, Martin Luther King Jr. Disse: se
você não está pronto para morrer por algo, você não está pronto para viver.
E examinando o evangelho e as figuras mais importantes da historia da igreja,
vemos homens que não recuaram diante da morte.
Até aqui
penso estar claro, mas por via das dúvidas, esclarecerei uma coisa: a vida do
cristão está escondida em Deus e se encontra na pessoa de Cristo. Para nós, a
vida não é apenas um fator biológico que por acidente aconteceu e que nos será
tirado a qualquer momento.
Partindo
do pressuposto de que a nossa vida é Cristo e não este fenômeno biológico que
experimentamos agora, sabemos que é esperado do cristão se agarrar, como
qualquer pessoa, à vida. Mas a diferença é que para o cristão a vida é Jesus e
simplesmente continuar vivo aqui.
Por
exemplo o apóstolo Paulo foi um cristão que permaneceu deliberadamente longe
daquilo que classificaríamos como ‘vida segura’. Quando ele pregava dentro do
império romano que o Senhor não era César, mas Cristo ou quando ele anunciava
aos judeus que eles mataram o líder que por tantos anos esperaram, ele com
certeza chamava a atenção de olhos cheios de raiva e indignação contra ele, e
de fato, tais olhos o encaminharam à morte por decapitação.
Agora
será útil separar a tênue linha entre Kurt Cobain (uso este nome apenas para
ilustrar o estereotipo de artista que teve um fim trágico, o nome poderia
facilmente ser trocado por Merlin Monroe ou qualquer outro) e Jesus Cristo:
ambos caminharam para a morte.
A
diferença entre eles é: enquanto um foi vítima de um estilo de vida sem
esperança para o futuro (ou seja, pessimista), decepcionado consigo mesmo e com
as pessoas e também cujas musicas falavam ‘eu sou um estúpido’ e após os shows
quebrava os instrumentos, que buscava alívio para a imensa tristeza e depressão
no uso de drogas, o outro também foi vítima do seu estilo de vida. Porem o
único relato que temos dele recorrendo à violência, foi contra o abuso de
alguns privilegiados sobre os desprivilegiados. Ao contrario do primeiro, este
último não era pessimista ou considerava as pessoas estúpidas, bem como ele
próprio (aliás, as pessoas ao redor dele pensavam que ele era um estúpido,
porem, sem dar ouvidos a zombarias e comentários que o perseguiram por anos a
fio, ele permaneceu fiel ao que acreditava) e também a maneira como caminhou
para a morte foi diferente do primeiro: ele caminhou com esperança e não com lágrimas
de desespero.
Jesus
morreu pelos outros, não porque não suportava mais a vida com a qual estava
desiludido.
Ou seja,
existe uma maneira perigosa de viver sendo
cristão. É falso, portanto a máxima: ir para a igreja e sossegar. O que vemos
na bíblia é realmente o contrário: pessoas que porque decidiram seguir a Cristo
entraram em situações de perigo, etc. na verdade, viver perigosamente não é um
modo de seguir a Cristo, mas o único, pois o convite que Jesus nos faz não é
nada menos do soltar aquilo que com mais firmeza nos agarramos:a própria vida!
Outra
falsa máxima que devemos desmascarar agora é a que diz que viver intensamente é
viver entregue aos próprios desejos. Na verdade uma vida assim é muito
limitada. Tem apenas um horizonte: a satisfação dos instintos.
Viver
apenas para saciar o impulso sexual (uso esta dimensão por ser a mais
enfatizada atualmente, poderia também trocá-la por gula, etc.) não é viver
intensamente, mas reduzir tudo de bom que a vida pode ser à apenas sexo (e não
estou falando aqui de romantismo, pois isto também vai alem de sexo) e quando
você reduz toda a dimensão do relacionamento humano à apenas sexo, você perde o
sorriso, o carinho, o olhar e a aprovação e tudo o que ganha em troca é a
fricção genital. Nada mais.
Alguém
que viva assim tão logo recorrerá às drogas e ao suicídio porque uma vida assim
é insuportável.
Que tem
muita força; ativo, animado, vívido; veemente, impetuoso, ousado. Definição
intenso.
Quanto a
vida cristã, pense em quantos heróis da igreja, bem como os apóstolos e Jesus enfrentaram
a prisão e o martírio. Bonhoeffer, Paulo, Pedro, Jesus, Martin Luther king,
John Huss, etc.
A igreja
prestará contas a Jesus por não viver o lado revolucionário do evangelho.
Porque o ditado mais vale um covarde vivo do que um herói morto não vale no
evangelho (o covarde vivo só é útil a ele, enquanto o herói morto deixa sua
conquista para os outros). Jesus foi o herói morto e nos convida ao mesmo nos
prometendo que assim como ele venceu a morte, com ele, nós também venceremos.