sábado, 30 de junho de 2012

viver intensamente


As pessoas comumente percebem que viver intensamente significa experimentar ao máximo o que a vida oferece.
E o oposto (não viver intensamente) é recusar tais ofertas.
Não é raro ouvir sobre alguém que se converteu: fulano sossegou, virou crente.
Quando se diz isto se imagina que a vida cristã é monótona em contrapartida ao ritmo alucinante e divertido do mundo. É como se houvessem dois caminhos: o da diversão com certo perigo e o seguro sem diversão.
Neste caso, o caminho seguro sem diversão é o de alguém que não sai para se divertir, não ouve música alta ou sorri alto. É como o catolicismo da idade média. A vida de um monge (ou seja, de alguém que levava a serio a religião) era uma vida reclusa, monótona e de contemplação.
Hoje em dia percebe-se que a visão que as pessoas têm sobre o cristão e sobre o cristianismo ainda tem muito a ver com a idade media e pouco a ver com o cristão de fato.
Em primeiro lugar devemos separar o que é viver intensamente do que é viver irresponsavelmente.
Um exemplo pode ilustrar isto: pode-se dizer que pessoas que ingerem grande quantidade de álcool e depois apostam um racha desfrutam intensamente a vida?
Sabe-se claramente que ingerir álcool em grande quantidade diminui os reflexos necessários ao motorista para se proteger de perigos durante a viagem.
Se privar daquilo que nos é útil ao volante é diversão? Ou seja, tirar os sapatos para andar na neve é legal? E, indo mais alem, um suicida é alguém que realmente desfrutou a vida em sua plenitude?
Talvez a resposta a esta visão nos ajude a entender o porquê muitos artistas depressivos e suicidas se tornaram o alvo da devoção da juventude.
Por outro lado, Martin Luther King Jr. Disse: se você não está pronto para morrer por algo, você não está pronto para viver. E examinando o evangelho e as figuras mais importantes da historia da igreja, vemos homens que não recuaram diante da morte.
Até aqui penso estar claro, mas por via das dúvidas, esclarecerei uma coisa: a vida do cristão está escondida em Deus e se encontra na pessoa de Cristo. Para nós, a vida não é apenas um fator biológico que por acidente aconteceu e que nos será tirado a qualquer momento.
Partindo do pressuposto de que a nossa vida é Cristo e não este fenômeno biológico que experimentamos agora, sabemos que é esperado do cristão se agarrar, como qualquer pessoa, à vida. Mas a diferença é que para o cristão a vida é Jesus e simplesmente continuar vivo aqui.
Por exemplo o apóstolo Paulo foi um cristão que permaneceu deliberadamente longe daquilo que classificaríamos como ‘vida segura’. Quando ele pregava dentro do império romano que o Senhor não era César, mas Cristo ou quando ele anunciava aos judeus que eles mataram o líder que por tantos anos esperaram, ele com certeza chamava a atenção de olhos cheios de raiva e indignação contra ele, e de fato, tais olhos o encaminharam à morte por decapitação.
Agora será útil separar a tênue linha entre Kurt Cobain (uso este nome apenas para ilustrar o estereotipo de artista que teve um fim trágico, o nome poderia facilmente ser trocado por Merlin Monroe ou qualquer outro) e Jesus Cristo: ambos caminharam para a morte.
A diferença entre eles é: enquanto um foi vítima de um estilo de vida sem esperança para o futuro (ou seja, pessimista), decepcionado consigo mesmo e com as pessoas e também cujas musicas falavam ‘eu sou um estúpido’ e após os shows quebrava os instrumentos, que buscava alívio para a imensa tristeza e depressão no uso de drogas, o outro também foi vítima do seu estilo de vida. Porem o único relato que temos dele recorrendo à violência, foi contra o abuso de alguns privilegiados sobre os desprivilegiados. Ao contrario do primeiro, este último não era pessimista ou considerava as pessoas estúpidas, bem como ele próprio (aliás, as pessoas ao redor dele pensavam que ele era um estúpido, porem, sem dar ouvidos a zombarias e comentários que o perseguiram por anos a fio, ele permaneceu fiel ao que acreditava) e também a maneira como caminhou para a morte foi diferente do primeiro: ele caminhou com esperança e não com lágrimas de desespero.
Jesus morreu pelos outros, não porque não suportava mais a vida com a qual estava desiludido.
Ou seja, existe uma maneira perigosa de viver sendo cristão. É falso, portanto a máxima: ir para a igreja e sossegar. O que vemos na bíblia é realmente o contrário: pessoas que porque decidiram seguir a Cristo entraram em situações de perigo, etc. na verdade, viver perigosamente não é um modo de seguir a Cristo, mas o único, pois o convite que Jesus nos faz não é nada menos do soltar aquilo que com mais firmeza nos agarramos:a própria vida!
Outra falsa máxima que devemos desmascarar agora é a que diz que viver intensamente é viver entregue aos próprios desejos. Na verdade uma vida assim é muito limitada. Tem apenas um horizonte: a satisfação dos instintos.
Viver apenas para saciar o impulso sexual (uso esta dimensão por ser a mais enfatizada atualmente, poderia também trocá-la por gula, etc.) não é viver intensamente, mas reduzir tudo de bom que a vida pode ser à apenas sexo (e não estou falando aqui de romantismo, pois isto também vai alem de sexo) e quando você reduz toda a dimensão do relacionamento humano à apenas sexo, você perde o sorriso, o carinho, o olhar e a aprovação e tudo o que ganha em troca é a fricção genital. Nada mais.
Alguém que viva assim tão logo recorrerá às drogas e ao suicídio porque uma vida assim é insuportável.
Que tem muita força; ativo, animado, vívido; veemente, impetuoso, ousado. Definição intenso.
Quanto a vida cristã, pense em quantos heróis da igreja, bem como os apóstolos e Jesus enfrentaram a prisão e o martírio. Bonhoeffer, Paulo, Pedro, Jesus, Martin Luther king, John Huss, etc.
A igreja prestará contas a Jesus por não viver o lado revolucionário do evangelho. Porque o ditado mais vale um covarde vivo do que um herói morto não vale no evangelho (o covarde vivo só é útil a ele, enquanto o herói morto deixa sua conquista para os outros). Jesus foi o herói morto e nos convida ao mesmo nos prometendo que assim como ele venceu a morte, com ele, nós também venceremos.