Todavia, não tenho a minha vida de valor algum para
mim...
Estas palavras
foram ditas por Paulo, ao se despedir dos presbíteros da cidade de Éfeso e estão
registradas no capitulo 20 de atos.
Aos olhos
de alguns, alguém que diga que não tem a própria vida como valiosa para si
mesmo pode ser considerado um louco com tendências suicidas, ou um desmotivado para
viver.
Porem, o
discurso de Paulo não termina com estas palavras, antes, ele prossegue dizendo:
desde que...
Ou seja,
o que temos aqui não é um homem que desistiu da própria vida e aguarda afoito a
primeira oportunidade para morrer, mas um homem que acredita ter encontrado
algo que valha a pena de morte. Em outras palavras: não que viver não seja bom,
mas é que existe algo maior do que apenas viver, a saber, cumprir o ministério que recebi de Deus, de testemunhar o evangelho.
Paulo considerava
mais valioso cumprir a tarefa que lhe foi designada do que a própria vida. E ainda
bem que era assim que ele pensava, porque de acordo com o próprio livro de
atos, assim que Paulo começa a testemunhar do evangelho, é perseguido. Na sua
segunda carta aos coríntios, ele escreve que sofreu naufrágio três vezes, foi
preso, surrado, passou fome, etc.
E apesar
de tudo isso, ele não desistia, não parava ao mesmo tempo em que não era movido
pela esperança de que em breve tudo acabaria. A prioridade dele não era acabar rápido,
mas servir enquanto viver.
Isso me
lembra a frase dita por Martin Luther king jr: se você não está pronto para morrer
por algo, você não está pronto para viver.
E também
outra frase cujo autor não lembro agora: gaste a sua vida em algo que valha
mais do que ela.
Essas duas
frases têm em comum o pensamento de que a vida não é um fim em si mesma, antes,
um meio para fazermos algo mais importante.
Viktor
Frankl escreve que num campo de concentração, onde a vida é penosa e por causa
dos sofrimentos muitas pessoas se mataram, ele identificou que dentre as
pessoas que não se matavam (o que acontecia todos os dias), ele percebeu que elas
eram movidas por um senso de que deviam cumprir uma missão e se se matassem
ali, não a cumpririam[1].
Diante da
pergunta: “qual é o sentido da vida?” alguns biólogos (dentre eles, minha
ex-professora cujo nome me é esquecido) nos disse uma vez que se exauria em
crescer, multiplicar e morrer. Igualzinho aos animais que criamos no nosso
quintal ou fazenda ou que vivem selvagens no planeta.
Se essa
resposta é amplamente divulgada, não me surpreende o fato de muitas pessoas
buscarem a morte, a principio então, alguém estéril já não cumpre sua missão aqui.
Olhando o
texto de Atos claramente percebemos que Paulo estava pronto para morrer, mas também
que estava pronto para viver. Martin Luther king diz que o segredo para se saber
viver é estar pronto para morrer por algo, ou seja, crer tanto em algo até que a
capacidade de apostar sua vida naquilo seja atingido (como de fato, ele morreu
engajado na sua luta pelos direitos civis) e Paulo tinha isso: a sua fé na
ressurreição de Cristo e na sua convocação para o serviço (significado da
palavra ministério) o moviam em direção à tribulações, prisões e à morte.
E, deste
modo, a pergunta pelo significado da vida encontra sua resposta, pelo exemplo
de Paulo: trabalhar para o Reino.
Já é
conhecido o fato de que se não nos movermos fisicamente, nossos músculos se
atrofiam e adoecemos até a morte. As pessoas que costumam se exercitar
regularmente percebem que longe de desperdiçarem suas energias, estão administrando-as
da melhor maneira possível, pois, quando precisam, estão sempre dispostos, ao passo
que os sedentários, que deviam ter muita energia ‘armazenada’ não encontram a
disposição que precisam quando o assunto é fazer algumas flexões ou uma
caminhada.
Do mesmo
modo, alguém que vive em letargia, ocupado apenas em viver para si mesmo,
satisfazendo as próprias necessidades, não encontra eco profundo o suficiente quando
a pergunta pelo sentido da vida acontece (se fosse assim, os únicos suicidas do
mundo seriam as pessoas pobres que não tem dinheiro para comprar alimento
[necessidade física legitima], mas percebemos que muitos ricos também se matam,
ou seja, o sentido da vida está além da posição social).
O sentido
da vida é encontrado em algo que valha mais do que ela. Paulo não odiava sua
vida, antes, ele encontrou algo que valia mais do que ela. Oremos para que nossos
‘irmãos’ que buscam a Deus apenas atrás de benefícios imediatos encontrem esse
tesouro escondido que Paulo encontrou e que faz valer a pena gastar a vida toda
por ele.
[1] Ele
também fala que as pessoas que se sentiam amadas e lidavam com o sofrimento de
um modo diferente também estavam entre os sobreviventes ao próprio suicídio. Leia o livro Em busca de Sentido, editora Sinodal.
Hallo
ResponderExcluirnah..
dann hast du auch einen Blog??
Schön zu wiessen!
:)
ResponderExcluirja, aber ich schreibe etwas hier nicht so oft....
=)