terça-feira, 23 de agosto de 2011

1 João 5.18


Neste trecho da primeira carta de João, o autor fala sobre a posição de um crente em Cristo Jesus. Como a ênfase temática sugerida está sobre a parte b do verso 18 “o maligno não o atinge” de acordo com a NVI, será o ponto explicado agora.
Em primeiro lugar devemos entender quem é o Maligno. Maligno é mais um dos títulos bíblicos que descrevem Satanás (outro título que em hebraico significa adversário).
De acordo com a bíblia, Satanás (ou diabo gr. difamador) é um ser espiritual criado (Ez 28.13) por Deus, pertecente à ordem dos querubins, um guardião (verso seguinte do citado) que se rebelou contra Deus e Sua vontade, levando consigo 1/3 dos anjos de Deus (vs 15 e 17; ap 12.4).
De acordo com a bíblia, Satanás faz oposição ao povo de Deus e os induz a pecarem (gn 3; em mt 4 ele aparece tentanto Jesus ao pecado), porém a bíblia também fala que somos tentatos pelo nosso próprio mau-desejo (tg 1.14), dizendo assim que nem todo mal pensamento que temos provém do diabo.
A bíblia diz em hebreus 1.14-15 e 2 co 4.4 e demais pessagens que o homem, depois do pecado, se tornou um escravo do diabo, alguém que o diabo exerce algum poder ou influência. Isto se deve ao pecado do homem.
A passagem porem, que vamos explicar diz que o maligno não “o” atinge. Não atinge quem? Todo aquele que é nascido de Deus (verso 18). Ou seja, de acordo com a bíblia, a humanidade está dividida em 2 grupos de pessoas: as que nasceram de Deus e as que não nasceram. Habitando das pessoas que nasceram de Deus, está o Espírito Santo (jo 14.17) que é o próprio Deus. Além do fato de que os pecados das pessoas que nasceram de Deus foram cancelados na cruz de Cristo (cl 2.13-15).
O diabo tem poder sobre as pessoas por causa do pecado, se porém, o pecado desta pessoa foi pago por Cristo na cruz, esta pessoa já não tem pecado (i jo 3.6) e o Espírito de Deus vive nesta pessoa, então, a lógica já nos diz que o maligno não tem poder sobre estas pessoas, porém, a bíblia ainda assim o diz, dizendo com estas palavras o óbvio, mas sob nenhum ponto de vista, desnecessário ou irrelevante: sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não está no pecado; aquele que nasceu de Deus o protege, e o Maligno não o atinge.



segunda-feira, 18 de julho de 2011

A Sagrada Presença Divina


“Ele não morreu, Deus estava ao lado dele”. Ouvi esta frase de uma pessoa que, assistindo a tv, viu o relato de um livramento da morte.
Isto mostra que, de acordo com a sabedoria popular, a presença divina é associada apenas aos milagres, no caso, o livramento da morte. Ou seja, Deus estava com fulano = fulano foi livre da morte. De acordo com a lógica matemática, o contrário também é verdadeiro.
Mas a história nos diz o contrário: a não ser que você queira dizer que Deus estava com Hitler, o livrando da morte em cada uma das 15 tentativas de assassinato que ele sofreu por parte do exército alemão?! Ao passo que temos relatos bíblicos de certos poersonagens que não foram livrados da morte, mas estavam com Deus: vejo os céus abertos e o Filho do Homem sentado à direita do Altíssimo. O destino do autor desta frase é conhecido por todos que já leram o capítulo 7 de atos. E do lado de quem Deus estava? Da vítima, que morria ou dos executores, que viviam?
Cabe aqui agora outra pergunta: a presença de Deus está apenas associada ao milagre? É possível encontrar Deus na rotina, no ‘normal’, corriqueiro? O NT nos sugere uma vida com Deus. E vida inclui a rotina, a exceção não ocorrerá todos os dias, mas se ocorrer, se tornará esta, também, em rotina.
Os dias em que nada de especial nos ocorre, mas ainda assim tivemos um bom dia , por que não dizer que tivemos um dia na presença de Deus? Penso que na maior parte dos casos, nem há cogitação da presença d’Ele ou mesmo de Sua existência.
Penso também, ser esta a razão da raridade de pessoas que vive um relacionamento profundo com Deus. Quando se limita Deus apenas ao sobrenatural, ele só tem utilidade em casos últimos, quando a situação sai do controle. Seria algo como: a palavra Deus escrita em um botão vermelho atrás de um vidro, que se localiza logo abaixo de uma placa que diz: em caso de emergência, quebre o vidro e aperte o botão. Também podemos comparar esta situação à um pára-quedas ou mesmo um bote salva-vidas: é bom estar lá, mas é preferível não usar.
Sabendo disto, temos o dever de resgatar o relacionamento diário com Deus. A vontade de orar por se sentir (ou no mínimo, querer se sentir) na presença de Deus. Fazer da oração mais que um recurso a ser utilizado em últimos casos, quando não se há nada mais a fazer.
Termino este artigo desmentindo o mito evangélico que diz: faça o possível que o impossível Deus faz. Em primeiro lugar, você não consegue fazer nada. O que é possível a você fazer que não dependa de certos fatores que podem estar (ou não) ao seu alcance e que foram disponíveis a você pela graça divina? A carta de thiago nos dá esta dica: não diga eu farei, mas eu quero fazer.
Em segundo lugar, isto pode sugerir que a presença e a ação de Deus está restrita ao campo da sobrenaturalidade, o que não é verdade, visto que no NT, Deus encarnado é a maior prova de que Deus quer entrar na vida do homem, e não levar o homem para vida de Deus (não entendendo vida como qualidade, mas como forma, p. ex. Em apocalipse 21 vemos a sociedade divina nos moldes humanos: uma CIDADE! Mas não como a babilônia, mas ainda assim uma cidade). João não relata em apocalipse nenhum sinal de vida artificial, ele não diz: vi pessoas que não tinham pés e por isso não andavam, antes, flutuavam, pois pelo fato de estarem com Deus, não manchavam mais os pés confiando o peso do corpo a esta parte inferior do corpo (aqui é cômico, mas isto realmente existe no imaginário popular que aliás, não tem fundamento bíblico, antes, se assemelha muito às religiões pagãs e mesmo ao conceito religioso da idade média.
Por fim, lemos que Deus se fez homem, um homem-Deus mas um homem inserido na sociedade humana e que, antes do início de Seu ministério buscava o sustento diário através não de práticas obscuras, não fazendo maná cair do céu ou mesmo com qualquer outro milagre, mas como carpinteiro e posso dizer sem medo de errar que este ofício não era algo tido como sobrenatural aos seus contemporâneos.
E o ensino messiânico reunido por Mateus e identificados mais tarde como capítulos 5-7 tem uma mensagem tão prática e despida de sobrenaturalidade como em poucos outros lugares vemos. Jesus não dá ênfase à demônios ou anjos, antes, à ética profissional, familar, etc. e o NT prossegue com cartas endereçadas à comunidades constituídas de seres humanos, não et’s.
Aliás, me parece que Jesus foge desta realidade isolada pela religião da vivência cotidiana e um dos mais vastos exemplos disto é o fato de só sabermos que ele nasceu de uma virgem por que Lucas e Mateus descrevem a história do nascimento, porque em NENHUM momento vemos Jesus fazendo qualquer alusão a este fato, muito menos em discussão contra os fariseus (o que, com certeza agradaria a religião que busca avidamente os milagres e exceções e um Messias que nasça de uma virgem é sempre bem-vindo! Ao passo que um que conquiste a vida como carpinteiro, numa região pobre, com discurso simples e que ande com o povão, é vulgar)
Querendo ou não, é assim que Jesus se apresenta a nós e é esta característica que os autores dos evangelhos (sobretudo o Espírito Santo) quiseram preservar muito bem em seus escritos.
Então, não tente viver uma vida artificial, antes, se relacione com seus amigos, família, colegas de trabalho, etc. Tenha bons relacionamentos e nem ouse pensar que Deus está longe disto pelo fato de você não andar sobre as águas, pois na vida de Davi, um homem segundo o coração de Deus, não vemos a presença constante do sobrenatural (ao passo que fica evidente que o sobrenatural está nas entrelinhas do natural, mas não o contrário) e mesmo assim a bíblia dedica boa parte de 1 samuel, todo 2 samuel, partes de cronicas e vários salmos. Em outras palavras, não se esconda da vida, viva-a intensamente, aproveite as pessoas, sobretudo da melhor maneira possível: de acordo com o amor como guia de nossas atitudes, pois o contrário de amor (se acordo com o divino) é egoísmo e usar as pessoas para se alcançar nossos objetivos e satisfazer nossos desejos não pode ser chamado amor, mas isto é assunto para outro artigo.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Expressão Idiomática

Boanerges – filhos do trovão mc 3.17
Esta é uma expressão idiomática hebraica que, a partir de uma característica peculiar em uma pessoa, a chama de filho desta característica, dando personalidade, p. ex. No caso acima, à um fenômeno natural: o trovão. Que no contexto cultural, simboliza a inquietação, o barulho, a briga.
Vemos que esta expressão idiomática é usada em outras passagens do NT, como mt 5. 44-45, “para que venham a ser filhos do seu Pai que está nos céus”. Ora, Jesus expõe uma característica de Deus e diz aos discípulos para imitá-lo e assim, eles serão (conhecidos e vistos como) filhos do Pai que está nos céus; orar pelos perseguidores e amar os inimigos, faz com que sejamos identificados como filhos de Deus, porque ele faz raiar o seu sol sobre justos e sobre injustos.
João 8.41 – vocês estão fazendo as obras do pai de vocês. Neste espisódio, Jesus usa a expressão idiomática para dizer que os judeus com quem ele está falando, são filhos do diabo e estão fazendo a obra dele: matar (verso anterior).
Por fim, em João 10.33, quando Jesus fala de Deus como Seu Pai, ele é confrontado pelos judeus que dizem: você se apresenta como Deus ou seja, se você é pacífico, seria chamado de filho da paz, se violento, filho da violência, se divino, filho de Deus.
Isto nos coloca diante do mais autêntico discipulado que existe: a criação dos filhos! Não é raro ouvir a exclamação: você é seu pai todinho, ou você é sua mãe todinha, ou ainda você é realmente filho do seu pai, isto acontece quando, a partir de uma atitude, se reconhece uma característica que é forte nos progenitores.
Deste modo, os pais têm um dever para com os filhos, dever esse que vai além de alimentá-los. Os pais têm o dever de discipular os seus filhos de tal modo que eles sejam bênção para a sociedade, pois os filhos reproduzirão as atitudes que verem os pais tomarem: se os pais são violentos, os filhos serão violentos, se os pais são pacíficos, os filhos são pacíficos.
Obs. Quanto a questão da conversão, ‘pais convertidos... ’ isto se trata de exceção uma vez que a conversão é uma intervenção livre de Deus e também um ato involuntário humano (jo 3.3 – nascer de novo, o nascimento não depende da vontade ou desejo do recém-nascido, simplesmente acontece, assim é a conversão).
Obs2. Quando me refiro aos pais, me refiro não apenas aos pais biológicos, mas às referências masculinas e femininas que a criança teve acesso durante sua infância e adolescência, a referência pode ser o pai, tio, primo, irmão mais velho, etc.
obs3. Todas as referências bíblicas foram extraídas da NVI.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

foi para a liberdade q Cristo os chamou

foi para a liberdade q Cristo os chamou, portanto, ñ se deixem escravizar outra vez.  Estas palavras estão escritas em gálatas 5.1 como eu ñ tenho fácil acesso a bíblia, o texto pode estar com outras palavras, mas este é o sentido.
Paulo está se referindo a liberdade q Cristo nos oferece. Isso nos levanta a pergunta: liberdade do q?
Á primeira vista, liberdade de um sistema religioso.
Paulo escreveu esta carta por causa dos judaizantes, isto é, das pessoas q queriam voltar ao judaísmo ou transformar o cristianismo em judaísmo. Isto prenderiam os cristãos q se converteram do judaísmo aos rituais judaicos outra vez como: ñ coma certos alimentos, guarde o sábado, faça a circunsisão, etc.
Porem, com a cruz, ñ existe mais a prisão religiosa q nos limita, pois, todos os alimentos foram criados por Deus, todos os dias são santos e o q importa é o coração.
À segunda vista, liberdade dos nossos desejos.
Ao contrário do q se pensa por aí, liberdade ñ é se entregar ao prazer (hedonismo) isto é se submeter a escravatura dos desejos, nos reduzindo de humanos a meros animais irracionais q ñ têm outra escolha se ñ seguir sempre os instintos. Por exemplo, a seguinte comunidade do orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=25371747 com 140 mil membros q seguem a filosofia: olhei, gostei e peguei são pessoas q se reduziram a produtos q visam satisfazer o desejo uns dos outros. Eu gostaria de saber a diferença entre alguem q segue esta linha e um cachorro no cio. Pois um cachorro cruza com e aonde ele quiser, pois ele nada pode fazer diante dos poderosos instintos dele.
Graças a Cruz, ñ precisamos mais ser escravos de nós mesmos, Cristo nos deu o poder de dizer ñ aos nossos próprios desejos e isso é liberdade. A liberdade ñ é sempre dizer sim aos desejos, mas poder dizer ñ a eles qdo são inconvenientes (p. ex. um escravo do tesão, mesmo casado, nada pode fazer diante do desejo, então ele trai a esposa, ele ñ é livre p/ dizer ñ aos instintos e preservar seu casamento, ele simplesmente é controlado). Graças a Deus os q estão em Cristo têm a liberdade de viver uma vida moral e decente.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Um trecho do artigo: a Nação, o Estado e a Religião, por Ed Rene Kivitz

Uma antiga tradição rabínica acredita que por meio de Adão Deus povoou originalmente o mundo com uma só pessoa pelo menos por duas razões. A primeira é para que ninguém diga ao seu próximo “O meu pai é mais que o teu pai”, uma vez que todos os seres humanos descendem do mesmo pai. A outra é para ensinar que quem quer que destrua uma vida é considerado como se tivesse destruído o mundo inteiro, e quem quer que salve uma vida é considerado como se tivesse salvado o mundo inteiro. Foi seguindo essa tradição que Jesus declarou que assim como César cunhou sua imagem nas moedas, Deus gravou sua imagem na raça humana, de modo que a vida humana pertence a Deus, seu valor está baseado na origem divina, todas as vidas humanas têm o mesmo valor, e que a vida humana é de valor incomparável, pois apenas uma vida vale mais do que o mundo inteiro. Dessas afirmações derivam as noções da dignidade humana e dos direitos de todo e qualquer ser humano.

esse trecho foi extraído do site: http://forumcristaoprofissionais.com/2010/10/08/a-nacao-o-estado-e-a-religiao/

terça-feira, 7 de setembro de 2010

A Verdadeira Interpretação - só com o Messias


O Senhor, o seu Deus levantará do meio dos seus próprios irmãos um profeta como eu; ouçam-no – Deuteronômio 18.15.
Quem foi Moises, se não o homem que estruturou Israel? Tanto as leis civis como as religiosas foram dadas por intermédio dele. Esta passagem se refere claramente ao Messias, e os judeus assim a interpretavam. Para o judeu, a lei tinha duas faces. A primeira era a lei escrita; a outra era a Lei, o espírito e o sentido exato dela que era transcendente. Era algo parecido com “o mundo das idéias” de Platão mas era somente para a Lei. A expectativa para a chegada do messias era também para revelar este caráter da Lei.
É por isso que em João 4, na conversa com a mulher samaritana, no verso 25 a mulher diz “eu sei que o Messias (chamado Cristo) está para vir. Quando ele vier, explicará tudo para nós”. Nos versos anteriores a este versículo, eles estão conversando justamente sobre um assunto religioso (o lugar ideal para se adorar), Jesus diz que o lugar geográfico não importa mais, mas sim a maneira (em espírito e em verdade). Então a mulher diz “eu sei que o messias está para vir, quando ele vier, explicará tudo para nós”. Era algo como: a gente discutindo aqui não vai levar a lugar nenhum porque de qualquer jeito, só o messias sabe exatamente o que a Lei diz, vamos falar de outra coisa enquanto ele não vem. Então Jesus diz “eu sou o Messias!” (verso 26), e o que acabei de falar sobre o lugar da adoração é o sentido da Lei.
Já em Mateus 17, na transfiguração, a fala do Pai é uma referencia à DT 18.21. Pedro propõem que se faça uma tenda para os personagens que aparecem (Moises, Elias e Jesus glorificado) e no verso 5 uma voz diz “este é o meu filho amado em quem me agrado. Ouçam-no!”. Claro que para qualquer judeu que cresceu aprendendo a lei e estava bem familiarizado com o livro de Deuteronômio, essa fala lembra: “O Senhor, o seu Deus levantará do meio dos seus próprios irmãos um profeta como eu; ouçam-no. Esta é uma ratificação tão clara, transparente, específica e objetiva que o próprio Jesus temeu que os judeus a ouvissem antes de sua crucificação (“não contem a ninguém o que vocês viram, até que o Filho do Homem tenha ressuscitado dos mortos”) v. 9. Pois se este fato fosse conhecido pelo povo, o ungiriam rei custe o que custar e certamente não permitiriam a sua crucificação.
E para finalizar, o messias dando o sentido da Lei, está dentro de um discurso (não apenas lá) que chamamos de Sermão do Monte. Como Mateus escreveu para judeus, ele colocou essa coletânea de ensinos de Jesus agrupados. No sermão do monte temos: “ouvistes o que foi dito, eu porem vos digo”. Antes de cada nova interpretação da Lei, que a abrange muito mais. Claro que quer judeu lendo isso somada às profecias cumpridas em Jesus e a afirmação de Mateus 17, será persuadido a aceitar que Jesus é o messias, o profeta profetizado por Moisés em Deuteronômio 18. Pois Moises estruturou o povo de Deus, e disse que viria um profeta igual a ele e que deveria ser ouvido, no sermão do monte, e durante seu ministério, Jesus reestrutura o povo de Deus, não etnocentricamente, mas universalmente. Em Jesus os filhos de Abraão, não são apenas os descendentes de Abraão (MT 3.9) mas qualquer um em qualquer lugar que “mostre frutos de arrependimento” v.8.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Religião e Cidadania

Ed René Kivitz
Igreja não vota. Igreja não faz aliança política. Igreja não apoia candidato. Igreja não se envolve com política partidária. Há pelo menos cinco razões para este posicionamento.
Primeira: o Estado é laico. Igreja e Estado são instituições distintas e autônomas entre si. É inadmissível que, em nome da religião, os cidadãos livres sofram pressões ideológicas. Assim como é deplorável que os religiosos livres sofram pressões ideológicas perpetradas pelo Estado. É incoerente que um Estado de Direito tenha feriados santos, expressões religiosas gravadas em suas cédulas de dinheiro, espaços e recursos públicos loteados entre segmentos religiosos institucionais. É uma vergonha que líderes espirituais emprestem sua credibilidade em questão de fé para servir aos interesses efêmeros e dúbios (em termos de postulados ideológicos e valores morais) da política eleitoral ou eleitoreira.
Segunda: o voto é uma prerrogativa do cidadão. Assim como os clubes de futebol, as organizações não governamentais, as entidades de classe, as associações culturais e as instituições filantrópicas não votam, também a igreja não vota. Quem vota é o cidadão. O cidadão pode ser influenciado, melhor seria, educado, por todos os segmentos organizados da sociedade civil, inclusive a igreja. Mas quem vota é o cidadão.
Terceira: a igreja é um espaço democrático. A igreja é lugar para todos os cidadãos, independentemente de raça, sexo, classe social e, no caso, opção política. A igreja é lugar do vereador de um lado, do deputado de outro lado, e do senador que não sabe de que lado está. A igreja que abraça uma candidatura específica ou faz uma aliança partidária, direta e indiretamente rejeita e marginaliza aqueles dentre seu rebanho que fizeram opções diferentes.
Quarta: a igreja não tem autoridade histórica para se envolver em política. Na verdade, não se trata apenas de uma questão a respeito da igreja cristã, mas de toda e qualquer expressão religiosa institucional. A mistura entre política e religião é responsável pelos maiores males da história da humanidade. Os católicos na Península Ibérica e em toda a Europa Ocidental. Os protestantes na Índia. Os católicos e os protestantes na Irlanda. Os judeus no Oriente Médio. Os islâmicos na Europa e na América. Todos estes cometeram o pior dos crimes: matar em nome de Deus. Saramago disse com propriedade que “as religiões, todas elas, sem exceção, nunca serviram para aproximar e congraçar os homens, que, pelo contrário, foram e continuam a ser causa de sofrimentos inenarráveis, de morticínios, de monstruosas violências físicas e espirituais que constituem um dos mais tenebrosos capítulos da miserável história humana”.
Quinta: o papel social da igreja é profético. Quando o governo acerta a igreja aplaude. Quando o governo erra a igreja denuncia. Quando a autoridade civil cumpre seu papel institucional a igreja acata. Quando a autoridade civil trai seu papel institucional a igreja se rebela. A igreja não está do lado do governo, nem da oposição. A igreja está do lado da justiça.
Todo cristão é também cidadão. Todo cristão deve exercer sua cidadania à luz dos valores do reino de Deus e do melhor e máximo possível da ética cristã, somando forças em todos os processos solidários, e engajado em todos os movimentos de justiça.
Comparecer às urnas é um ato intransferível de cidadania, um direito inalienável que custou caro às gerações do passado recente do Brasil, e uma oportunidade de cooperar, ainda que de maneira mínima, na construção de uma sociedade livre, justa e pacífica.